Na sombra daquele lustre
me escondi ao lado do copo de conhaque
em que me afoguei
e foi o mesmo copo companheiro
que fez meu sangue ferver
em todas as noites de pavor
que sentei naquela mesa cor púrpura,
já assim pelos anos de banhos de sangue
colorindo aquela mancha na madeira crua
O copo participou de todas as letras tristes
que escrevi pensando no vestido que você usaria
em nosso casamento de cinzas
Aquele vestido púrpuro como o sangue que bombardeava
em seu coração já apagado
Ele apenas observou o que eu fazia;
decifrava o que eu sentia
através das letras escritas no papel pela caneta,
os únicos presentes, além das minhas dores,
naquela mancha que o lustre projetava
Ia chorar nos palcos, algumas noites
e as pessoas sofriam comigo,
mas voltavam para suas casas, satisfeitas
Ou em alguma esquina sofrer, com o chapéu estendido,
só pelo prazer de tocar minhas letras para ninguém
A bebida fulmegante me esperava ao lado das folhas
e novamente eu escrevia palavras tão bonitas e tão agressivas
que até você teria duvidado da minha sobriedade
Esta noite eu quero ver você usando o vestido-sangue, eu escrevi,
do nosso casamento de cinzas, através das minhas palavras;
mesmo que seja caminhando em direção ao cemitério,
pois lá estarei esperando
você pode usar o vestido que eu odeio
mas isso já não importa mais
não importa
Poderia continuar com essa ilusão
de que um dia vou sentar em algum lugar
e escrever sobre uma mulher
que supostamente amei.
Poderia escrever muito mais, mas não posso,
pois sinto o hálito da realidade perto de mim
Era o que gostaria de ter vivido,
mas aqui estou:
Sentado no canto de um pub mal iluminado
sem folhas nem canetas, e com elas nada escreveria, se as tivesse;
apoiado em uma mesa cor madeira crua, sem vida;
o inerte copo não percebe nada.
te disse.. te disse. não vou comentar. seria mais um desperdício de palavras e combinações de frases carregadas de exagero. :)
ResponderExcluirvocê já sabe que eu amei,simplesmente ficou perfeito.
ResponderExcluirmeu preferido,sem dúvida.