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eu entro. todos me olham. a porta bate atrás de mim, movimentando o sino, preso ao vão da porta. sento junto à janela, uma cadeira de madeira escura.
O barista se aproxima e sorri. Sorrio de volta e peço um café com creme.
O cheiro do café me alcança depressa, como em todas as manhãs; sendo moído lentamente e com paciência.
A mulher sentada à minha frente olha para o lado. Observa as pessoas passando através do vidro. Repara em alguma coisa embaçada e sorri para a chuva. Olha para o outro lado. Bate a ponta das unhas na lateral ovalar da xícara, cantarolando alguma música. Olha para o outro lado. Observa as pessoas passando.
A xícara chega e pousa na minha frente com leveza e eu simplesmente bebo.
Estou na frente da porta, segurando aquela maçaneta singular, prosaica. Meu pé cruza o arco e eu caminho em direção à rua, sentindo os olhos da mulher nas minhas costas, do outro lado do vidro.
Outro dia. Eu entro, sento perto da janela. Peço uma xícara de café.
Meu Deus, que mundo patético!

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