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dores do mundo

sempre tento fingir que não acontece, que aquela dor nem sequer está ali, mas quando me exponho ao mundo, à mim mesma, sinto essa ferida doer, latejar e começar a infeccionar, de novo e de novo
e isso perdura e perdura e dura até não acabar mais
Entro no ônibus e começo a sentir o estupro que outra moça sofreu, a bebida que outro tomou, os maços que um outro fumou, as noites que eles passaram na rua, as mães que morreram, se acumulam na minha ferida. Eu sinto o estupro. A força da bebida, do cigarro, do frio no meio da noite, da perda dos pais, do vazio. E a impotência faz minha ferida latejar mais
As facas que enfiaram no estômago do feirante eu senti
O câncer no pulmão da mulher eu tive
A embriaguez do homem eu passei
Constante.
Amo e odeio tanto as pessoas, que nem sei mais lidar com elas, nem com suas dores
só sinto. e sigo ouvindo joy division, sem esperanças de que um dia essa ferida simplesmente feche
e o mundo se cure

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