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Ah, essa mania oca de bater coração com consciência, até que se perca o controle
até que se perca totalmente o controle
Essa curvatura na minha espinha não vai embora nunca, aquele trocado pro cigarro em cima da estante tá todo dia lá separado
Ontem à noite eu lembro do meu ombro apoiado na borda da pia enquanto de mim saía toda aquele líquido frivolamente confortante; minhas entranhas chamaram por ele: Não vá embora, por favor. Faltou aquele bom abraço amigo.
Perdi o controle antes mesmo de pensar em decidir - ou tentar decidir, ou deixar alguém decidir por mim - se eu deveria parar de pensar e tomar uns remédios que o médico do plano de saúde receitou, me agarrar numa força sobrenatural ou em alguém maior que eu, ou então se eu poderia pensar e pensar e pensar e uma hora chegar em algum lugar; será que tudo é mesmo inútil?
Vi de longe aquela mulher alta acender um cigarro dentro da igreja e cruzar a perna bem devagar, olhando pras próprias mãos enquanto tragava como se já tivesse no filtro. Ia pedir um pra eu fumar também, lá fora, mas lembrei que tinha um maço cheio no bolso esquerdo da minha calça.
Quem sabe se esse corpo, essa pele oleosa que me segura, fosse embora pra algum outro lugar, com algumas outras pessoas, deixasse os trocados em cima da cômoda e a cômoda na casa que daria adeus, quem sabe ele sentiria algo diferente. Não melhor. Não melhor. É uma possibilidade ridícula demais. Melhor. ah, melhor.
Quando tô melhor parece que procuro por dor. Não consigo decidir se deixo de me resignar e de ser esse clichê moderno que vive procurando e escrevendo sobre essa procura que sabe que nunca vai encontrar. Entre uma idéia e a realidade, entre potência e existência, acho que fico comigo mesmo. Com isso, com esse nada, com esse tudo, entre coração e consciência, até perder realmente o controle e não ter mais volta.