sempre vi a perda, a falta, como algo doloroso. um aperto nos pulmões que me faria parar de caminhar, enquanto na rua, e buscar por ar
uma dor na cabeça constante, que demoraria pra ir embora
um caminho desprovido de luz que só se iluminaria depois de muito tropeçar no escuro
pensei que era como meu pai me dando boa noite, sem responder nenhuma das minhas perguntas, me deixando sem saber o que sentir, o que pensar
desse meu ponto de vista - prefiro não atribuir adjetivo algum a ele -, não dói; fazemos doer
a falta: comparo com o tanto que já perdi até agora, com o quanto meus olhos lacrimejaram à noite, em silêncio; isso é nada, isso não dói
então que é que é essa agulha pequena pinicando fundo no meu peito?