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Qualquer palavra, me acorde, me deixe respirar
Por favor, superfície, me leva contigo!
Milhares de palavras inúteis, joelhos gastos,
Cada vez mais frio
e tudo o que eu vejo nesse céu
São pontos cruéis rindo da minha mediocriedade
Mares de areia secos como as folhas que tenho lido
Nos livros que não me dão mais conforto
Nos filmes que não mais me fazem chorar

Dificuldade em nadar por esse céu seco
Tanto barulho e ao mesmo tempo a falta dele:
Vazio imenso
trespassa meu peito e não me deixa nada, só a incerteza
E uma caixa de balas furiosas, dois dedos de bebida
E continuando, caindo, caindo, é disso que eu falo
Cair como nuvens derretendo nos céus
conforme o dia vai embora

E esse mar de munição em minhas mãos, ardendo, doendo
Juro que tenho tentado,
mas continua queimando nesse céu deserto
Deram os meios mas não ensinaram como ir
Tanto espaço para tão pouco,
que acaba se tornando muito
E de novo amanhece, e lá vamos nós,
sóbrios e silenciosos
Caminhando para fora da cama.

25/11/2010