Tu pareces um sonho mal sonhado, um anjo criado por mim, pensei que estivesse louca, que jamais haveria alma que me visse como sou, que entendesse meus traumas, minhas fantasias, meus desejos. Alguém que nada exige, alguém de quem, pela primeira vez, não consegui fugir. Por muito tempo permaneci numa bolha de plástico, ausente dos sentimentos românticos do mundo real. Há muita dor em mim. Senti que tu eras diferente, tentei manter meu escudo armado, mas com um toque, tu derrubou tudo o que construí para ser visto a olho nu. Vens até mim e me despe por completo. Não há paixão, não há nada que contenha nome. Transcende, é grande, porém apenas entre nós. Jamais outro ser humano compreenderá a fantasia que vivemos juntos, longe de todos. Insistiu em mim e nada mais é do que puro. Ainda tento, cedendo à minha natureza, desacreditar, negar, pôr no lixo. Mas então olho para o lado e vejo o teu terno pendurado, sorrindo para mim e sussurrando que sim, não é um sonho, mas é bom como se o fosse.