é dezembro, mas venta
faz frio
que atropela
e chove
no meu rosto
um tempo
que já
passou
certos presentes
não vêm embrulhados
dilaceram e
me lembro de
esconder debaixo da mesa
os que eram incógnitas
em datas festivas
chove
por dentro
separados, por dentro
do peito uma nébula
reluz pelas feridas
e aceito não poder
mastigar os gostos
as coisas que só
consigo com os
poros abertos da minha pele
na chuva
que por fora
escorram as verdades
enquanto parto pra longe
dos microespaços
onde um dia fui
a língua
que secou
ainda
que
chova
te
deserto
e que molhem os ossos
antes que se partam
ocos, dispostos numa mesa
de ceia farta
sem apetite
que molhe
a minha cara
antes que pare a chuva
e eu não tenha
tido tempo
de chorar
que deslizem cansadas
as surpresas
de uma vida já desenhada
as novidades
de um desfecho viciado
os suspiros
que se afoguem
em quem já
cansou de festejar
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