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dias que passam

Deito na cama e os dias parecem se estender como a minha falta de sono. Cavei fundo nos bolsos do meu casaco e encontrei um isqueiro e um monte redondo de sujeira acumulados durante toda essa semana. Por um momento pensei sobre ele. Tentei completar o pensamento, não consegui.
Fiquei com aquele casaco pra me aquecer por dias, só tirava pra dormir. Incrível como ele acumulou tanta coisa, e eu, nada.
Tentei lembrar como aquele monte de poeira começou, ou de quem era aquele isqueiro pequeno que, de tanta dúvida que pôs na minha cabeça, se tornou gigante.
Lembrei do sorriso branco como a neve de alguém, alguém gritando, algum outro comprando uma revista na banca de alguma esquina, não consegui lembrar de mais nada. Como num labirinto minha mente se arrasta, cansada, longa, sem saída, não conseguindo transformar o monte de memória líquida em alguma coisa que me faça encontrar essa porra de saída.
Começo a brincar com o isqueiro. A cor dele é cinza. Percebi quando refletiu num raio de sol, passando pelo vidro da janela, através até mesmo da cortina branca quase transparente.
Minha vontade de lembrar das coisas foi morrendo e meu sono foi chegando. Talvez seja melhor assim. Adormeci, quieto, estendido na cama.

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