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Não aguentava mais essa cidade, esses dançarinos mortos chamando por suas mães o tempo todo, subi aqueles degraus e foi como se tudo fosse deixado pra trás, fosse deixado naquele chão sujo em que eu tava pisando, e pelas horas que se seguiram flutuei sob 6 rodas num céu laranja acinzentado que corria pelo vidro tão rápido que parecia um grande letreiro de neon perdendo a força e oscilando
Você já passou por isso durante alguma tarde? Só ouvi músicas que vareiam de tempo durante esses dias, pra me distrair, parar de achar coisas e analisar elas o tempo todo.
Aquele monte de cor queimou meu rosto e desenhou no meu corpo, não queria que acabasse nunca. Eu não sentia nada e queria que não acabasse nunca
Mas acabou. Outra cidade, os mesmos dançarinos, um pouco mais frio, o chão sujo me encarou e fiquei sem expressão
Ninguém entende a minha falta de tato: vede, não vale a pena. Se não fosse minha grande descrença em tudo, tentaria crer em você. Mas todo mundo vem, todo mundo vai
Aqueles felinos que dividiram o apartamento comigo foram, pelos mais diversos motivos. Algumas vezes eu quem fui. Você também vai. Vai levar uma nova pessoa pros seus pais conhecerem, vai dizer as mesmas coisas pra ela, uma grande repetição se sons e atitudes que não fazem sentido nenhum pra mim.
O que eu agarro mesmo é o nada, esse sim significa alguma coisa. E mesmo que não significasse, não precisaria. Consigo Ele das formas mais fáceis possíveis
e Ele nunca vai embora
Eu e Ele nos encontramos nas rodoviárias dessas pequenas cidades sempre que temos vontade e quando um de nós quiser que termine, assim será, pois todo mundo vem, todo mundo vai.
Só tem uma coisa que não

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