As coisas que fizemos estão espalhadas pelo chão em pequenos pedaços e preferimos não proferir as palavras que as juntam e que nos destroem. Logo atrás, elas puxam nossos cabelos e sussurram nossos ouvidos, incomodadas com a nova posição que adquirimos de ignorá-las e não dar-lhes ouvidos como fazíamos certa vez.
Isso as tira do sério, as enlouquece; não querem ir embora, pois sua casa sempre foi nosso peito e ao selarmos, elas se tornam cegas e desabam em seus joelhos. Precisamos que nos deixem, não as queremos mais. O relacionamento terminou, a magia e poesia da tristeza já nos sugou o bastante, e ali elas continuam a pinicar nossos pensamentos, tentando adentrar novamente nossa corrente sanguínea.
Demos atenção ao mundo à volta, ao aroma das coisas novas, já que o velho e usado não mais se encaixa. Não será fácil, mas continuemos tentando. Algum dia esses fragmentos do passado e as dores em desuso cansarão as pernas e nos deixarão viver nossa vida com os olhos à frente, e não mais às costas.