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Morte de todas as coisas

Tuas mãos,
constituídas de ossos,
pele e paixão
Tocam meu corpo etério
e por pouco não caio
na doce irrealidade
da inexistente eternidade

Culpado são os livros,
as canções e nossa solidão
Por cegarem nossos olhos
e suarem nossos corpos
em ardente convulsão
A paixão é falha, repito
se comparada à morte
dos sentidos
À queda de todas as coisas

Vem o calor, sem valor,
nasce e sequer nota
que logo se vai,
separando-se em fração
escamando-se a paixão
falecendo a utopia

Desprezo teu toque,
Pois é falso o teu amor
Não sente muito,
não carrega este fardo
Pois tudo morre no cume
Após o apogeu, a queda
Tua boca doce cereja
logo escorre pelo tempo
E desaparecem
as memórias que guardo,
as mãos que me tocam,
a boca que me beija.