O que os excita
são as curvas
O que nos excita
são os versos
Seu masoquismo
é físico
O nosso, emocional
Seus sonhos
são altivos,
os nossos
são pesadelos
O que os segura
é o prazer
Nós,
a diversão
Para eles
o pouco basta
Nós estamos
para sempre
insatisfeitas
O que os eleva
é o alheio
Nossa elevação
é própria
O que os chama
é o som
O que nos chama
é a melodia
Sua pulsação varia
entre forte e fraca
A nossa, constantemente
descompassada
Eles se dividem em
comunistas, captalistas
Nós somos tudo e nada
Seu cheiro
é característico
O nosso,
inodoro
Eles não têm muito
o que dizer
Nós temos
demais
Eles têm pouco
de nós
E nós, muito deles