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Palavras não ditas nos deixaram frágeis e sem certeza sobre muita coisa. Sempre aquela coisa pela metade, mal compreendida, que preferiu silenciar a elevar a voz. O final de tarde vem sempre igual e nós o modificamos conforme o humor diário, insistindo que o problema é ele. Talvez seja, porque ele não nos acompanha na instabilidade. Está sempre lá nos aguardando. Incomunicável. Sem vida, até que decidamos dar-lhe.
Pode voltar mil anos em tua máquina do tempo, querido, as coisas continuam iguais. O passado atormentando, o presente constrangendo e o futuro assustando. E a cabeça dá nós, procurando soluções para consertar o passado, para falar o que não saiu, curar o maldito hoje, de mesmo fim de tarde silencioso. Para tornar ele um pouco mais confortável, transformá-lo no que ele é de verdade: um simples final de tarde, sem ressentimentos, culpas, temores. Neutro e natural, sem danos ou palavras não ditas.