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insônia

Sinto sono - logo te aproxima de mansinho, acariciando meus cabelos, acendendo minha imaginação que já ia se apagando. Não preciso de alguém para ocupar o vazio em cima da cama, eu digo; os travesseiros cumprem bem a função. Tua presença me inquieta, coço minha nuca, meu quarto cheira à cigarro, sinto náusea. São 3h25. Pouco tempo para uma noite, muito tempo para ocupar um dia inteiro. Os vizinhos abaixo se aglomeram em suas camas quentes e completas, amontoados em sonhos calmos cheios do que não é real e vens tu ao meu lado, justo ao meu lado, querendo conversar, enrolar novelo, interromper meu silêncio?
É inútil minha fraca resistência. Se queres, aos poucos me entrego... E tua voz vai crescendo e aumentando, como um zunido de inseto ao pé do meu ouvido, me recordando do sono que já perdi. Me vou, me deixo ir, fugindo dos braços de Morfeu para te encontrar. Não há escapatória, não há festa, apenas teu discurso monótono me enfeitiçando conforme os segundos passam e não se ouve nada além do meu pensamento doentio cedendo às tuas vontades.
As estrelas parecem rir da dança em torno do círculo de ideias que me trouxeste esta noite. Logo elas vão indo e lá se vai minha companhia também, deixando insegurança e um colchão úmido pelo suor nervoso. Se quem quase-vive já morreu, o que se pode dizer de quem quase-dorme?
O dia não se fez dia ainda e não dá indícios de que virá de bom humor. Vai-te cuidosa e calada, sem dar importância ao estado em que me deixou, vai, pode ir; não agradecerei pela tua companhia, Insônia. Tampouco sentirei tua falta.

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