Os ruídos são da caneta e das teclas. Telefone toca alto, me ensurdece. Encontrei um canto nesse velho jornal amassado que deita sobre a mesa do escritório, perdido com vago olhar, observando a vida que corre carregada de bocejo e fadiga.
Comecaram as anotações. Esconde-as! O chefe vem aí. Ele passa sorrateiro, como tigre, com olhos que devoram minha liberdade e meu tempo. Fantasiado de fera, rasgando o resquício de inspiração. De fera ou de vida? Ele põe a verdade em cima da mesa, põe a verdade, monótona e chorosa, dentro da minha ferida.
O sol lá fora brilha; aqui dentro tá frio. Meu peito falece sentado na cadeira giratória de baixa hierarquia. O chefe amassa o jornal e lá se vão minhas quase-anotações.
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