Nem frio nem calor percorreu minha espinha naquela noite. Não dava pra sentir quase nada no poço vazio que havia se tornado minha consciência lúgubre. Nos buracos que permaneceram, ecoa o grito de quem quer sentir alguma coisa - qualquer coisa - além dessa semi-depressão, apatia underground com trilha sonora indie, ser alguma coisa - qualquer coisa - além desse caráter mentiroso e obscurecido pela luz fraca que contorna as curvas do meu rosto nesse quarto carente de espaço
de espaço pra algo mais além de mim
Ouço, espera, ouço alguma coisa lá fora chamando e não é vento, sequer o resquício de família: é minha carne, minha fagulha futura repleta de bons pensamentos e ações a me chamar. Não consigo mover os músculos. Petrificada fui por eu mesma, cimentada nesse banco inferior onde assentei as agruras do passado, presente e futuro e que acabaram por levar-me abaixo, entocada neste quarto onde nem frio nem calor mais me atingem.
Ela abriu a porta e disse "Tá tudo bem?"
"Tá. Só fecha a porta e me deixa um momento aqui".
Ainda não me levantei, tampouco encarei a vida.
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