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O vizinho no prédio do lado acendeu um cigarro no mesmo momento que eu. Ficamos assim, meio tristes, na janela, olhando pra cima. Dividindo um momento que não foi nosso. Eu tragava, ele tragava, mas nenhum de nós levava nada pro outro. Talvez tenha visto errado por causa dos meus óculos embaçados - é que eu já cansei de tanto limpar - mas gosto de crer que trocávamos alguns fortuitos olhares na escuridão dessa noite sem lua. Cada um na sua caixa de solidão inundada pelos pensamentos calmos e tristes que vêm pela madrugada que clama o silêncio invencível. Ele terminou o cigarro dele antes de o meu acabar. Apagou, foi embora e não voltou mais.

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