Pude sentir tudo o que um ser humano seria capaz numa dessas noites de domingo onde todo mundo volta pra casa e a única coisa que dá palmadas nos ombros é a dúvida que nos leva à solidão, aflição e ansiedade. Carrego comigo a consciência e ela me conduz a uma estrada de dúvidas e lamentos infindáveis que se cruzam com minha vontade de viver em paz.
Completei meus poucos e pesados 18 anos há alguns dias; durante toda a minha vida imaginei essa data como qualquer outra. Acordaria na outra manhã me sentindo da mesma forma, com as mesmas preocupações; acho que me enganei.
Alguma ínfima coisa mudou cá dentro: acho que o medo cresceu um pouquinho. O medo de encarar os assustadores rostos que habitam meus pesadelos, de encarar a vida, de me encarar, de assumir a total culpa pela imagem refletida no espelho do banheiro.
Tive - tenho - medo de que nosso vínculo tenha se partido de forma irreparável, dessa vez a sério. Enxergo a minha grande parcela de responsabilidade no resultado que a impaciência e as palavras duras nos trouxeram, mas luto pra acreditar que tu não me deixou aqui, nem lá. Que não partiu esse pedaço, nem aquele. Que não remexeu aquele machucado, nem este. Que nada disso é verdade. Que a gente vá se olhar nos olhos e ao invés de dizer "Que olhos tristes tu tem", a gente apenas sorria. Que nossas doenças têm cura, que tudo pode ser apagado num juntar de cílios e num ouvir de música.
Me reviro ao tentar crer que estamos indo pelo caminho certo, que uma hora as coisas se arrumam, que a gente não precisa arrumar nada. Para crer que estaremos juntas para sempre e que tu nunca vai desligar uma ligação minha como ele fez. Eu tento, tento tanto, mas não consigo. Meus 18 anos não estão mais permitindo. Eles dançam na minha volta, cantando outras possibilidades, possibilidades que não envolvem mentiras e ilusões plantadas à noite debaixo do travesseiro.
Eles me levaram a perceber também as correntes pesadas que me prendem aos antigos hábitos, aos antigos pensamentos, aos incessantes diálogos sobre os problemas. Esse é um dos maiores: pensamos, falamos a respeito, mas não fazemos a respeito. Uma intensa necessidade de amaciarmos as dores ao invés de colocarmos um curativo.
Os anos querem me fazer ir à frente, fazer ao invés de falar. Reluto; aí se trava uma guerra de proporções homéricas dentro de mim. Preciso largar muitas coisas às quais estou presa ao mesmo tempo que compreendo a necessidade em fazê-lo. Já era de se esperar: Meus 18 anos sou eu. E eu estou gritando.
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