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Semana passada tava eu imaginando à toa como me sentiria se tu morresse; só eu não sabia que tu já tinha morrido. Minhas lágrimas se fundiram entre saudade e arrependimento e tudo se tornou aquele clichê de sempre: queria ter tocado aquela música pra ti no violão, que aprendi só por tua causa, queria ter te dito que te amei muito, ter dito que me desculpo, ter olhado mais uma vez nos teus olhos. E agora só é tarde demais porque tu tá embaixo da terra há mais de um mês... e eu nem sabia. 
Me encontrei com minha mãe pra falarmos de ti, pra chorarmos por ti, mas não consegui, não acreditei. Ela chorou muito, te chamou de filho e eu só consegui olhar morta pelo horizonte, num pôr-do-sol caído; me tornei de repente um palhaço que se divorciou de toda e qualquer graça nessa tarde triste, observando as lágrimas nos olhos dela sem conseguir sentir nada pelo meu apático estado. As lágrimas dela eram nossas, de nós três, naquele apartamento amontoado de história onde passamos muito meses ruins e bons, onde vivemos acima de tudo como companheiros pra vida toda. 
Pensei à toa como me sentiria se tu morresse e em todos os arrependimentos que eu teria, mas nada, nada, absolutamente nada do que imaginei se compara à dor oca que eu sinto agora, uma dor silenciosa que só é quebrada pelo som da tua música favorita. "Eu sei que um dia você terá uma vida maravilhosa, sei que você será como uma estrela no céu de um outro alguém, mas por que, por que, por que  não pode ser no meu?" Eu nunca tive essa resposta e me arrependo amargamente de não ter procurado. 
Justo agora que tu tava feliz, feliz de verdade, depois de toda a dor que eu te causei, tu te foi assim, de forma tão estúpida, como num partir de dia, como num fim de tarde comum onde todo mundo morre. Só que dessa vez quem morreu foi tu e nem consciência nem nada sobrou de ti pra ouvir o que eu tenho pra dizer. 
O mundo continua acontecendo e nada muda, exceto que tu te foi pra não voltar mais. 
Aqueles momentos que só existem num mundo nosso - agora só meu... me faz solitária; solitária na paixão passada, no sorriso sincero, naquela observar de céu em cima do telhado na calada da noite, no ápice da nossa doença, tudo agora é só meu e se torna um fardo pesado pra carregar; queria continuar a dividir ele contigo, mesmo à distância, pra sempre. Pra sempre não existe mais. 
Não consigo acreditar que isso aconteceu. 


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