Como, eu grito, como parar de fumar nesta cidade que me tira o fôlego? Nesta cidade onde me esgueiro entre muros, fugindo daqueles que querem me roubar o pouco que tenho, por não o terem? Que faço de mim nesta cidade que me engole em cada esquina, me mastiga e me cospe nos bueiros, onde me confundo com o esgoto?
Como parar de fumar nesta cidade onde falta tanto oxigênio, tanto arfar e onde sobram tantas más fugas? Como, me diga, como parar quando a fumaça é a única que faz dançar as janelas em frente às paredes de concreto que cercam meu lar?
Como parar de fumar quando o cigarro é uma das poucas pontes que ainda me ligam ao outro num rápido porém intenso emprestar de fogo?
Como parar de fumar quando o tragar é um estrago que acalenta o coração confuso, perturbado, inquieto, que não pára e pulsa como o centro desta cidade?
Como parar quando se se para, o que sobra é concreto, é poeira que leva embora o som do tiro que mata, quando o que sobra é vazio que espera para ser preenchido com mais fumaça de cigarro?
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