Seguidores

eu quero que a gente seja visceral

que esquisita essa ausência
de propósito gerada 
em propósito de parecer querer 
alguma coisa 

esquisita esse não-viver 
de quem trabalha prum patrão
que nem sabe
o teu nome 

esquisito também
esse não querer saber de nós,
nem ti a mim, nem eu a ti, 

essa apatia pessoal 
despencam horas 
nos ponteiros em flecha
atingindo a nossa pele 
que vai envelhecendo

ouço ao longe
as gargantas
tremendo, 
chamando a revolução 
e nós aqui sem sal, 
sem gesto, 
sem rosto

num silêncio 
não tão mudo: 
dá pra ouvir 
a flecha rasgando
rasgando as tripas, 
vontades, carícias
reprimidas

nas várias noites que passam
que passam em branco, 
que passam insones, 
que passam sem gosto


Nenhum comentário:

Postar um comentário