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justo quem?

justo eu que fumei cigarro
atrás de cigarro
esperando que da fumaça
enevoasse teu cheiro 

que santifiquei o espaço 
entre nós 
e o perdão 
que nosso olhar nunca encontrou

que corri milhas atrás de sentido
que tropecei nas migalhas 
que ao te ver na estrada passar
sucumbi no esfalto 

justo eu que esperei
sentada em meio a tempestade 
que esperei resolução pro presente 
assopradas pelo passado e pelo futuro 

que no inferno acalantei o frio
das dobraduras desse abraço ausente 
que em meio ao fogo 
me vi no completo escuro 

justo eu que enalteci teu pescoço nu
ainda que só depois do cabelo longo
que manteve calada a palpitação 
de um coração que muito tentou 
e ainda tenta se manter cru

justo eu 
aqui agora 
vendo no céu que antes choveu 
abrir estrela no parapeito
de um peito cansado de chorar 

de rosto pra cima
olhando a rosa que desabrocha, 
ainda que cinza, 
e que espera o que vem do céu
porque da terra não há mais 
o que esperar 


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