sobre, porque não é contra
a vida vem, torrente, e te detona
te come toda, te envenena, te incinera
dilacera os esquecimentos, as memórias
dilacera os abraços partidos,
os beijos selados
reverbera no alaúde do coração um som
de choro, lágrimas varrendo a tempestade
ressoa em cada canto da língua,
em cada forma de olhar,
nos passos todos que vacilam,
nas noites todas que caem insones
na sombra do teu silêncio (de quem não sabe viver),
vem a vida de lança na mão, nos acerta no peito
e tudo o que havia entre as dores
uma vez ou na outra
se parte no meio
o choro que sai é mudo, é pra dentro
e a gente precisa berrar o tanto de dor
que não desemaranha, berrar as dores
que fingimos não doer tanto
não fugir, porque a vida nos persegue
e eu grito
VIDA
vem e me rasga inteira
porque eu não tenho tempo a perder
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