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ausência

abro os braços, mergulho no escuro
e em memória, bebo as champanhes de natal
nunca comemorados
dobro um papel debaixo do peito
com todos os nãos que a gente ouviu

saúdo as faltas, de dentro pra fora
porque tem que sair tudo de mim
pra não me segurar debaixo dágua
(a vida já tem tanto sufoco)

a diferença entre um e outro, no fim,
é quem mergulha e quem fica são
nem tão salvo, na superfície
é quem aceita o desafio de doer

depois, é promessa da natureza:
vem primavera

e aceitar que algumas coisas apenas doem, dói
não tem procedimento
não dá pra esperar, já esperei vinte
e tantos anos

as horas vão embora
e não vou me arrepender
do que não vivi,
porque pela metade
não é o suficiente

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