faz calor
meus olhos refletem a secura desse ar
piscam, ressecam, dissecam
a paisagem defronte
a pele das costas borbulha
tenho sede que os cactus não resolvem
das suas raízes profundas
a saciedade é demorada
e estou morrendo
meus pés afundam e sinto
pedrinhas minúsculas
nos minúsculos espaços do meu peito
um deles me contou que lá vem chuva
e me arrasto, solitária, sedenta, servente
numa esperança sorrateira
num desejo de mergulhar ondas
longe das ardilosas ondas dos desertos
encantadoras e silenciosas
que ondulam pra longe
o meu
desejo
tento palavra, falta umidade
vagueio sem som, sem passos
lentamente desaparecendo
por entre os cantos da seca saudade
das chuvas que nuncam chegaram
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