de minhas pupilas vacilantes
verte o medo
de focar em ti
e esquecer como é
olhar pra longe
dos cantos da minha boca
escorrem sedes
de te beijar mesmo sabendo
que só durará por hoje
as minhas saudades futuras
tenho medo de serem poucas
medo das minhas curas
serem ossos expostos
eternas fraturas
nos meus ouvidos,
barulhos infinitos
não consigo nos ouvir
fico sentada à mesa esperando
quais pratos vou ser obrigada
a mastigar os indícios
dos rasgos na minha pele
jorra a vontade de pertencer
ao espaço que achei merecer
quando talvez o espaço que mereça
não seja dado por ninguém
nem por mim mesma
em meus pedaços fragmentados
me junto, inerte, confusa
tentando não fugir
das quebras necessárias
mesmo que elas findem
tudo aquilo que tentei ainda que fraca
manter com brandura
que seja assim o final de tentativas
que ruíram dum corpo desaparecido
que seja eu, tragada
e transformada em chuva
que morra a expectativa
e que chova torrencialmente
sobre mim
{estar curado é diferente de estar distraído}
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