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sobre amigos

Nas noites frias, em conjunto os olhos miram as estrelas. À tarde dividimos o gosto forte da erva-mate. Pela manhã, a cara enfiada nos travesseiros. E nunca é o suficiente. Nossos problemas não têm muito em comum; e mesmo que tivessem, a catástrofe é sempre maior aos olhos de seu ego. Cantamos e tocamos na viola aquele som que todos acompanham e depois deitamos sozinhos nos mofos espalhados nos cantos do nosso lar.
Bebemos, e como bebemos. Bebemos vinho, bebemos alegria, bebemos viagens e sonhos. Embriagam-se os corações partidos e selam-se mesmo que por momento. Soam poesias, verdades, mentiras, entoam pesadelos, mares de aspirações! Observo a nós, crescendo. Os medos, ah, os medos! Daremos as mãos ainda por muito tempo; enquanto houver o que dividir. 
A consciência nos diz que algo falta. Um pleno amor maior, quem sabe. Uma fome voraz de realmente sentir o outro, multiplicar, somar e inspirar-nos. Talvez o comprometimento de nos tornarmos todo e não quase. O tio da padaria sempre falava que a vida não é fácil e que a gente tá só. Só esperando o esforço vir do outro, porque não temos o costume de sermos tudo e de não sobrar nada. E o barco segue com esse peso faltando. 
Chega o final da tarde e nos encaminhamos pra orla, deslizando pelo asfalto morno em cima das rodas velozes das bicicletas, compartilhando o que podemos, porque pensar no copo meio cheio é desnecessário. Seguimos juntos o trajeto até onde for, porque o que vem depois é desconhecido. Sejamos nossos, sejam meus, seja por agora.

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