Tão pra longe foi - tava quase se fechando nos meus dedos, a fatia de certeza que andei procurando.
Não sei como agarrar novamente. Ela vem e vai, pulo de gato: some. Talvez ela não se vá, talvez eu é que a perco de vista. Talvez ela resida onde não consigo chegar: no infinito.
Inconsistente essas minhas vontades de agarrar essa alguma coisa que - nos meus sonhos, ao menos - vai me dar um gosto diferente à boca, uma plantada firme de pé, uma música que mareje como nunca os meus olhos e que pese, pese tanto que não consiga me fazer sentir humana. Que me faça sentir, não importa o quê, não importa se for avesso ao meu propósito, não importa como nem quando, que me enlouqueça, que me transtorne, transforme e que acima de tudo me faça inteira; inteira aqui dentro.
Olho no espelho os meus olhos confusos, incolores, não sei de mais anda, nunca soube, não tenho o que dizer àquela que me olha às vezes curiosa, às vezes apática. Seca a garganta toda a vez que tento. Pra quê tentar tanto? Descanso o meu olhar fechando os olhos, entrando no infinito sem portas pra sair, de uma vez por todas mergulhada na (semi) certeza de que um dia, em alguma das olhadelas no espelho a queda pra dentro de mim seja profunda como nunca antes, que me mate inteira, me renasça, me imploda pra depois me retornar.
Tento não ficar zangada contigo por não me prover o que eu preciso (nem sei ao certo o que é), mas não dá, você tá aí presente, mas tua boca não me diz nada, só balbucia coisa qualquer, tanto fez como tanto faz, nossas dores não são as mesmas e jamais serão. Tuas boas palavras me doem pois são ensaiadas assim como quase tudo nessa nossa vida. E isso é tudo o que tu pode me dar. Ponto final. Finito que em breve vai achar o próprio buraco.
Vamos correr pra sempre. Correr pra sempre. Estamos morrendo um pouco todos os dias e não conseguimos fazer nada. Então vamos correr pra longe, eu e minhas pernas, porque toda a caminhada é solitária.
A cada metro que fica pra trás, nos distanciamos mais. O silêncio nos separa, porque não tem nada pra ser dito que compreendamos. Por que fazemos isso de sofrer, meu bem? Por que não descansamos um pouco?
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